sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Marionetes invadem Teresina no Festival de Teatro Lusófono

http://www.meionorte.com/blogs/culturaeturismo/marionetes-invadem-teresina-no-festival-de-teatro-lusofono-317015

ISABEL CARDOSO
27 de Agosto de 2015 às 09:50 ••• atualizado em 27 de Agosto de 2015 às 09:52

Fantoches, marionetes ou bonecos de manipulação. No teatro, eles encantam adultos e crianças e tem ao longo dos anos despertado o interesse de estudiosos para essa arte milenar que se mantém viva passando de geração a geração.

Maria Elisa Rocha Villaça, diretora da Escola de Artes e Ofícios, da Casa de Portugal, em Macau, estuda há quinze anos os bonecos de manipulação. Pela primeira vez no Brasil, ela veio participar do Festluso, oportunidade em que fala sobre eles, em especial, os fantoches asiáticos.

A vinda ao Piauí foi a convite do ator Francisco Pellé, do Grupo Harém, organizador do festival. “Estava em Sintra a fazer exposição de marionetes asiáticas quando conheci Pellé. Não tinha como trazer a exposição. São muitos bonecos. Ficou inviável, então optei por falar delas e a relação e sua importância”.

Elisa trabalha numa vertente pedagógica. Seu objetivo é levar a arte das marionetes a jovens e crianças despertando o gosto pela arte, além de ensinar atores em fase de construção e manipulação dos fantoches.

Na sua opinião, essa formação tem que começar na escolas. Hoje em dia as tecnologias ocupam muito os jovens e os seus interesses são diferentes do que eram antigamente. Por entende que é preciso preservar a cultura, a identidade para que não se perca com o tempo, ela busca ensinar e preservar essa arte .

“As marionetes são um marco na história e durante muito tempo foram referência. São ferramentas pedagógicas utilizadas como um divertimento, mas que ensinam a língua, a história. Tudo pode ser explorado. É importante divulgar para os jovens e fazer com que eles gostem e percebam um pouco o que podem tirar delas. A marionete quando alguém a manipula deixa de ser a pessoa. Ganha uma vida própria, as crianças conseguem dizer aquilo que sentem e aquilo que não conseguem transmitir”, ressalta.

A pesquisadora lembra que na história em todo mundo, a marionete tem uma origem em comum: a religião. Na Europa, as apresentações aconteciam dentro das igrejas, com o Concílio de Trento veio a proibição e os conflitos provocados pela retirada deles desse espaço público. Foi ai que surgiu o caráter contestador, muito comum nas apresentações dos bonecos.

Com relação a América do Sul, ela destaca uma riqueza muito grande, elementos muito interessantes da cultura popular nas arte das marionetes. Eles traziam no início uma mensagem mais rural, presente também nos personagens. As pessoas que manipulavam não tinham estudo, não conseguiam escrever nada e tudo era feito de improviso. E essa mensagem ia passando de boca a boca. “Aqui continua a ter a crítica social e o mamulengo é uma figura bem característica do Brasil. É engraçado, há um cruzamento entre os mamulengos brasileiros e os Robertos portugueses. São utilizados dentro de uma barraca com a cobertura de chita. Não temos acompanhamento musical, vocês usam”.

Assim como os bonecos brasileiros há sempre o homem e a mulher e os conflitos que permeiam as histórias e levam a uma reflexão ao final. Em Portugal, há sempre a presença de animais, relembrando as touradas que durante muito tempo foram comuns no país. No Brasil, os animais aparecem de uma forma mais ligada as pessoas.

Chama a atenção a forma como são apresentados os Robertos em Portugal. Eles têm um característica única. Quem manuseia o boneco usa uma pequena palheta de metal metida na boca e colada ao céu da boca pela pressão da língua. Quando a pessoa fala, sua voa sai alterada e com um som vibrante. “Até agora pensava que era o único país a possuir essa característica, mas encontrei uma pessoa que fazia a mesma coisa no passado na China”.

No próximo sábado, dia 29 de agosto, às 18h30, no Teatro do Boi, Elisa se apresenta com o espetáculo O Rouxinol e o Imperador. Trata-se de uma história da China antiga e os bonecos aparecem de forma direta, sendo o manipulador visto pelo público.

“Conta a história da velha China de um imperador que pensava que controlava tudo. Só que as vezes as coisas não acontecem assim. E a natureza é muito forte e mostra que a relação afetiva é muito mais importante que todos os valores materiais que se possa ter”. (Por Liliane Pedrosa)

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