segunda-feira, 22 de julho de 2013

Festluso abriga Seminários de teatro afro-brasileiro



Os dois seminários trazem o histórico, as principais referências e as produções  artísticas da experiência ímpar ocorrida no Brasil, na década de 1940/1950, que foi o Teatro Experimental do Negro (TEN), sob a direção de Abdias do    Nascimento e das iniciativas teatrais nos    PALOP (Países Africanos de Língua  Oficial Portuguesa). *** Em meados do Século XX, no Brasil, um grupo de jovens negros resolveu        encampar a luta para mostrar à sociedade brasileira um outro olhar do               afrodescendente e da cultura de matriz africana, em contraste com o que era apresentado à título de folclore e        exotismo. Havia uma matriz negra na gênese de nossa cultura, e tal necessitava vir à tona em sua integridade,             apresentada como um dos fios legítimos dessa rede de povos que compõem o que denominamos “povo brasileiro”. Tal foi a experiência do TEN que, além da    produção de peças com temáticas significativas às comunidades negras  brasileiras e da organização de ações  político-culturais como seminários,    congressos, shows musicais, estimulou a reflexão e o exercício de revelar a farsa por trás do mito da democracia racial, presente no país à época. Uma pergunta nos provoca: Será que reconhecemos a dimensão dessa experiência artística e as contribuições do TEN para a história do teatro brasileiro? *** Diferente do que se podia pensar, e a despeito de inúmeras similaridades, cada um dos atuais países da África que     tiveram colonização portuguesa conta com uma história teatral específica e  particular. A partir do estabelecimento da CPLP, em 1996, se intensificou o       intercâmbio em Mostras, Festivais,     atividades de formação, etc., o que gerou um movimento de aproximação dos  artistas africanos com artistas europeus (Portugal), latino-americanos (Brasil) e, mais recentemente, asiáticos (Timor- Leste).  O que há de similar e específico nesses movimentos teatrais? Quais os principais problemas ainda enfrentados para o estabelecimento de uma          profissionalização artística nesses países? O que essa aproximação com atuantes de outros continentes traz de aspectos    positivos a esses artistas e grupos? São algumas das questões que servirá de   reflexão ao nosso seminário “Movimentos Teatrais nos PALOP.


Fernando Leão
Arte-educador, Professor de estética e história do teatro
Programa de Licenciatura em Teatro
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará - IFCE

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