quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Refletindo Sobre o Encontro de Diretores Lusófonos


*Jaqueline Carvalho Bezerra
Artista Visual-UFPI


Arimatan Martins, Elliot Alex, Fernando e Simão, Fernando Jorge, Hélder Costa, Idalétson Delgado, João Andirá, Marcelo Flecha e Silvio Zilber formaram o conjunto de identidades de língua oficial português, no encontro dos diretores do 4º Festival de Teatro Lusofóno - FESTLUSO em Teresina no Piauí.   
O marcante encontro entre esses grandes dirigentes das encenações dramatizadas ao longo do FESTLUSO traçaram metas a ser cumprida durante os próximos seis anos de festival no Piauí, a intenção é concretizar uma por ano até o 10º Festival que passa por um processo de renovação a cada ano. O Festival de cunho internacional põe o estado do Piauí como um novo circuito cultural a nível nacional, e está sendo repensado em virtude das atuais políticas públicas culturais do País. “É necessário, pois a cada dois anos temos eleições o que inviabiliza a vinda de recursos, por isso estamos repensando a forma de se realizar o Festival nos próximos anos. Enquanto estamos realizando o Festival vários editais estão fechando e não podemos participar porque ainda vamos prestar conta do que está em percurso.” afirma Airton Santos um dos diretores administrativos e ator do Grupo de Teatro Harém idealizador do FESTLUSO.
O encontro inusitado dos diretores de países como Angola, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e Brasil com representantes dos Estados do Piauí, Maranhão, Bahia e Paraná reforçou a singularidade do Encontro, uma vez observado que não há outro realizado no Brasil com tais características. “Um evento acolhedor, caseiro. Caseiro porque podemos interagir com outros diretores sem a pressão de estar em competição, aqui podemos sentar e discutir estratégias, interagir nas mais variadas formas da produção teatral e das políticas culturais, as vezes vamos a eventos e mal encontramos a equipe técnica.” afirma risonho Silvio Zilber fundador da escola de teatro Macunaíma e um dos grandes nomes do teatro nacional que lembrou completar 50 anos no  fazer teatral.
O Lusófono que este ano fez homenagem a Teresina, com o tema “Teresina é um espetáculo” mostrou a perfeita dança entre as inúmeras identidades que o ventre teresinense gera e recebe. Na reunião representantes de Portugal, país colonizador da maior parte dos países presentes, numa conversa saudável e produtiva, deixou claro que aqueles embora façam parte de um país colonizador sempre estiveram no lado que permanecem até hoje, o lado democrático da cultura. É importante salutar uma vez que no encontro havia países africanos que conseguiram sua independência através de luta armada há no mínimo 35 anos e outros que ainda sofrem com a guerra civil e destes todos, Angola vem surpreendendo, pois já há quem arrisque dizer que será a próxima potência.  
Durante o festival propositalmente especulei: “Este é um evento que foge do eixo cultural nacional...”, era omisamente ao Rio de Janeiro e São Paulo a referencia, “...como você avalia?”, para surpresa o diretor Elliot Alex se debruçou sobre a questão quando veemente em uma segunda oportunidade respondeu que naquele momento não estaria acontecendo nenhum festival de lusofonia no mundo, porque todos estavam ali, por isso o Piauí passava a ser o centro das atenções e por isso não existia essa de fora do eixo, mas sim dentro do eixo, porque naquele momento a capital internacional da Lusofonia era Teresina, encerrou Elliot. Esse momento ficou claro porque “Teresina é um espetáculo”, mas que no seu todo ainda precisa ser reconhecida e valorizada pelos próprios piauienses.              
Diante de tantos assuntos e trocas, no teatro algo principal não pode faltar, o público. Esse foi um dos alvos de discussão e certamente o mais preocupante, enquanto o jovem e bem articulado diretor Idalétson Delgado comentava sua conquistada trajetória até a chegada ao Festival, teceu um comentário distinto: “fazemos um teatro social, acessível”, essa frase foi o fio inicial para o diretor Marcelo Flecha incitar que no Brasil em qualquer situação o teatro deve ser social e acessível, o problema é que o teatro está inacessível, porque boa parte da população “não possui condições” para ir ao teatro, menos de 10% da sociedade brasileira sendo muito generoso completa Marcelo. Embora o Festival de Teatro Lusófono ofereça entrada franca, a muito venho na qualidade de artista e produtora contemplando e incitando a idéia de formação de público, pensando também na Bienal que o Piauí aos poucos vem construindo e que sediará nos próximos biênios, para não continuar uma arte feita por artistas para artistas contemplar. Claro! Levando ao pé da letra é isso que acontece. Por isso não adianta ser gratuito se não há essa formação de público, sem ela sempre haverá uma restrição natural de público.  
É valido lembrar que esse processo de formação de público depende de uma gestão política pública cultural, em parceria com órgãos educacionais e tantos outros que trabalhem em prol do desenvolvimento da capacidade humana. Cultura é o marco identificador de uma sociedade capaz de movimentar a economia, mas depende de um plano de ação. Nosso Estado possui potencial para atrair recursos econômicos pelo viés do turismo e da cultura, começando pelo festival de teatro internacional que é sem tradução, mas, o governo na sua forma mais completa e efetiva deve elaborar planos para atrair turistas ao nosso Estado, e dentro deste fomentar uma estrutura solida para o turismo, até porque 2014 está chegando. 
E enquanto fica os sabores degustados e muitos ainda por analisar do FestLuso 2011, logo surge os primeiros questionamentos para 2012, resultado do encerramento do 4º festival após o comentário de Francisco Pellé que anunciou pela primeira vez na história do Festival de Teatro Lusófono não lançar a data para a 5ª edição, em outro momento Pellé expôs que 2012 será o  ano do Brasil em Portugal e Portugal no Brasil e que o Festival precisa ser repensado para que haja um fluxo, uma vez que o número de companhias de alguns países que vem participando do evento vai esgotando enquanto outros nunca estiveram aqui como as de Guiné-Bissau. Assim “Teresina é um espetáculo” concretizou nesta 4ª edição de Lusofonia um evento cultural no Estado do Piauí que merece diferenciada atenção.


Teresina-Piauí-Brasil
Agosto 2011

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