sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Teatro Extremo divulga nota de repúdio a falta de apoio do governo do Piauí a festival

Comunicado

Foi com mágoa, consternação e enorme pesar que aqui em Portugal recebemos a notícia do terrível acontecimento que se abateu sobre a edição deste ano do FestLuso e que castiga injustificadamente o Harém de Teatro e o público do Piauí.

O Teatro Extremo, sediado em Almada, Portugal, parceiro artístico do Harém de Teatro há mais de dez anos, assistiu com regozijo ao nascimento do FestLuso em 2009 e foi das primeiras estruturas a participar no que seria essa enorme realização, num estado sempre considerado marginal nesse imenso país que é o Brasil.

Com o governo Lula da Silva e com as expectativas criadas em torno do desenvolvimento humano e cultural do povo brasileiro, atreveu-se o Harém de Teatro a concretizar o que há muito vinha sendo maturado nas suas cabeças: um grande festival internacional que nada ficasse a dever a outros que se organizam nos grandes centros, beneficiários há muito de uma política elitista para a cultura, e que tivesse na língua de Camões a argamassa com que se construiria o seu futuro. Um festival internacional sem tradução.

Da experiência pioneira de 2008 chegámos o ano passado à afirmação do FestLuso como um festival de pleno direito do roteiro nacional e internacional, colocando, sem dúvida, Teresina num lugar destacado pela iniciativa e audácia, mas também pela capacidade de cativar centenas de artistas do mundo lusófono e de milhares de espectadores piauíenses e não só, que usufruíram de espectáculos de reconhecida qualidade.

Garantindo de novo espectáculos de grande qualidade e acolhendo o 2º Encontro Internacional sobre Políticas de Intercâmbio na Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), chegamos à edição deste ano do FestLuso, que tanto pela programação como pelas iniciativas, prometia ter em 2010 o ano da sua consagração.

Mas aí dá-se, grande ironia, o verdadeiro golpe de teatro: o Governo do Estado do Piauí, ao arrepio da correcção que se lhe impunha, pois até apadrinhou com a sua presença o lançamento desta 3ª edição, decidiu, sem negociações, deixar de apoiar o festival sugerindo até, sem um certo despudor e com um enorme desrespeito por todos os que nele trabalham mas principalmente pela população do Piauí, que este ano iria assistir de uma forma gratuita aos espectáculos, que se deveria cancelar o Festival.

Perante esta situação o Teatro Extremo e o Festival “Sementes – Mostra Internacional de Artes para o Pequeno Público”, declaram-se solidários com o Harém de Teatro e com o FestLuso e tanto os artistas que compõem a nossa estrutura bem como todos aqueles com que temos contactado aqui em Portugal, manifestam a sua indignação perante mais um abuso de poder que desrespeita a própria legitimação democrática que o fez eleger há bem pouco tempo, pois estamos em querer que os eleitores que votaram no candidato e governador reeleito Wilson Martins, confiaram que ele se propunha continuar a sua política social e cultural, o que manifestamente não foi o caso.

 Perguntaram ao Plínio Marcos, pouco antes de ele morrer, por que é que as suas peças, depois de tantos anos, continuam a ser representadas, ao que ele respondeu que elas continuam actuais porque o Brasil não evoluiu. Pelo que podemos comprovar nesta atitude lamentável, pelo menos quem detém as rédeas do poder não evoluiu mesmo.

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